São antropólogos de raiz, observadores da desumanidade, guerreiros, filósofos do fundo do poço, profundos pesquisadores da ciência do Safo. Vítimas do engano alheio, pontuais companheiros do nascente, amigos da lua e dos animais. Camaleões camuflados na hipocrisia, metropolitanos invisíveis, curadores da arte que ninguém quer expor. São fotógrafos da verdade sem máscara, esculturas de lama cobertas de jornais, notícias tristes de si, que nem ao menos sabem ler. Tocadores de pandeiro, ex-pedreiros, ex-prostitutas, ex-presidiários, ex-advogados de Deus. São eles os verdadeiros patriotas de um país sem ordem, que progride para o seu chão. São fiéis da calçada da igreja, sobreviventes do amanhecer urbano e voraz. Uma lasca de bolacha, um trapo de lençol: suas mansões imaginárias, jardins de suas crias catarrentas, banquetes de matar uma fome sem fim. São loucos poetas alucinados, presidentes da república, técnicos de futebol, perigosos pistoleiros, cangaceiros do sertão. Tristes cobertos pelo frio da alma, cortados pela navalha da desesperança. São velhos, crianças sem idade, ladrões de um pedaço de dignidade, de um sobejo de copo, de um pedaço de pão. Atores de sucesso no palco do mundo, da platéia mais imunda chamada de Nós. Somos nós os verdadeiros aleijados, coitados, sujos e sem futuro. Somos nós os cegos da praça, os pais da desgraça, os verdadeiros vilões. São eles – o bom espelho – para nos enxergarmos e tentarmos levantar nossa moral vadia, com suas lições de vida, de morte e de sorte. Somos nós os verdadeiros pobres coitados, sempre em busca de um abrigo seguro, fugitivos da chuva, fugitivos do medo, fugitivos de nós mesmos. Somos nós os roteiristas, dramaturgos, criadores de cenas para o mendigo atuar.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
lá e cá
Que só vivemos em fantasia a esguia de moral, bons costumes, e a pretensão de não machucar, de se olhar só na campo da retórica e deixar histórica a necessidade de ser o que se é.
Onde estamos se não no mundo que vagamos ás margens, num céu raso de pequenas certezas, assumindo clarezas de tanto mar.
Onde está o amor se não nos olhos, no bugalhos de se querer? Onde estás se não, no outro?
Onde estamos se não… lá e cá.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Armaduras
ninguém
Ela com todo mundo
Ela
Do mundo
Você esperando
ele desejando
ela
Que deseja elas - todas
Elas
que desejam tudo
O tempo
Todo
Tudo
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Eis que me salta em mente
justo ás margens da decência
ser real coisa premente
ante tudo: Consciência
.
.
Mesmo que de forma esdrúxula
sou de espírito Barroco
e por ser de mim metáfora
em segundo vem: Foco
Em terceiro de seguro
dos vazios que carrego
dentre todos o mais duro
"praticar o Desapego"
.
.
Caminhos de passos pequenos
como regra de conduta
têm por fim. mas não por menos:
Estar sempre pronto à Luta.
(nahuel Caran)
(nahuel Caran)
terça-feira, 30 de setembro de 2014
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Ex_piração
O mergulho pra dentro
No exato momento do afago,
Embaça a vista, entao
Veste-se o ego de cores vãs
Suspiram os medos e acordam do sono leve
De viver no chão
Com a vista embaçada
Mareiam-se os desejos que
Hora vem em mansas tragadas
Hora trovejando no silencio da madrugada
Num estalo a volta pra superficie
Traz o presente momento do afago
Enquanto lembrança vaga.
Continue a nadar, continue a nadar, nadar, nadar, nadar...
Zaina Debouch
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Poetas , Florbela Espanca
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
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