sexta-feira, 23 de maio de 2014





Palavras são janelas (ou são paredes)
Sinto-me tão condenada
Tão julgada e dispensada
Antes de ir, preciso saber:
Foi isso que você quis dizer?
Antes que eu me levante em minha defesa,
Antes que eu fale com magoa ou medo,
Antes que eu erga aquela muralha de palavras,
Responda: eu realmente ouvi isso?
Palavras são janelas ou são paredes.
Elas nos condenam ou nos libertam.
Quando eu falar e quando eu ouvir,
Que a luz do amor brilhe através de mim.
Há coisas que preciso dizer,
Coisas que significam muito para mim.
Se as minhas palavras não forem claras,
Você me ajudará a me libertar?
Se pareci menosprezar você,
Se você sentiu que não me importei,
Tente escutar por entre as minhas palavras
Os sentimentos que compartilhamos.

Ruth Bebermeyer

quarta-feira, 7 de maio de 2014

transbordo-de-ti
teu aroma particular pelo quarto
teus penduricalhos no assoalho

teus respingos em mim, jasmim rara, 
que me encara de ponta a infinito quando permito que isso tudo que faz dissolva em paz

respeito perene de que fomos presenteado desde o início por nosso ofício karmal
pelo nosso ramal de ligações únicas
por tudo que foi, é, e sempre será!

terça-feira, 8 de abril de 2014

vazio crativo

Gosta de ver os corpos em movimento, não nega um trago de vida oferecido em vão e por estranhos se apaixona. Confere-lhe a falta de dinheiro, ainda mais o excesso de tédio acumulado nas telas brilhantes e distantes do amor; com a frágil aparência que moderna coerência lhe oferece, que gasta em prece aos ouvidos invisíveis do todo. Perniciosamente leviano gasta teus dias entre poesias não lidas, paixões mau passadas e o cultivo de tua linguagem obtusa, à recusa de se assemelhar ao comumente mediano-fato de não saber-te como ser. Indagos, planos escorridos e sobre tudo a gana esganada de pertencer mais e querer menos, mesmo com a alma esfomeada de poeta repleta de vazio criativo. 

quarta-feira, 26 de março de 2014










Quando penso,
fico penso para o lado

Peso, fico denso
Desço, fico tenso


E meu pensamento alado
É desleixado como o vento

Não é leve, nem eleva
Só me enleva. Some e leva...


Mas se paro e respiro...
abrem-se nova-mente os poros
transpiram… suspiro - ah, sou puro!


Rodrigo Cardoso 

sexta-feira, 21 de março de 2014



O orgulho é ponta dinamite.
Quando tua razão explode, acredite:
Ao ordernar o caos que te permeia,
A verdade quando felicidade, laceia,
Por ser contradição, tudo bem, tudo bom..

E o quando fácil por teus cantos,
Dizer bem, ou o que bem queira,
Para fazer seleta peneira,
Do que há de lhe convir, aos poucos,
Tudo, até mais séria brincadeira.

Como e quando há de-despir,
Contida constante leseira,
Do achar no ponto,
Do que está no pronto,
Oco feito madeira.

Tempos Provocativos

Abrem-se as bocas
Pouco importa seus sons
Importa-lhes que tenham dentes
Afiados.
Importa-lhes que tenham línguas
Úmidas e exercitadas.
Quanto mais fortes as palavras surdas
Mais enche-lhes os pulmões.
Quanto mais surdas as palavras mudas
Mais sobra-lhes espaço.
Se cegas as cabeças dispares
Lacunas se formam
Preenchem-se das palavras surdas.

Em tempos provocativos
Cabe a boca muda
O braço baixo
O punho aberto
Cabe, também, idéias frouxas...
Mas definitivamente consistentes.

Quando sobram silencios
Abre-se o espaço mudo
Aprofundam-se os sons
E a concentração das forças se reuni nas palavras 
Há muito tempo mudas
Que muito esclarecem sobre o mundo de idéias difusas.

Caso haja stress, cabe indicar um livro.

terça-feira, 18 de março de 2014





Eles disseram louco.. consenti.
Pois só um ser louco se sujeito a tudo isso,
a nós,
aos nós que se fazem vida e apodrecem;
a cada passo dado nessa cidade...

Mas continuamos, continuamos lutando
com algumas perguntas a contar tempo:

Como posso ter tanto, tanto aqui dentro
e estar limitado por fronteiras tão frágeis,
tão pequenas?

Como posso libertar-me de mim mesmo?

E ai me pergunto também como ser consumo
e consumido culturalmente sem mesmo me 
dar conta disso?

A objetificação do Ser-humano!
Somos moeda de troca!
O escambo ainda não acabou...
Interesses!

Interessante, não?

Lhes deixo agora com a última.

Qual é a medida?

De intelectualizar, refletir e racionalizar..
Ou de agir, ser e sentir?

Qual a medida?